
Como funcionam as licenças do Microsoft Fabric e Power BI Embedded
Entenda como contratar Microsoft Fabric e Power BI Embedded no Azure, como funcionam as SKUs F e A, a cobrança por capacidade, o processamento e as licenças dos usuários.
Quando uma empresa começa a avaliar o Microsoft Fabric ou o Power BI Embedded, uma das primeiras dúvidas costuma ser sobre licenciamento: a contratação é por usuário, por servidor ou por capacidade? Onde a licença é adquirida? É possível aumentar, reduzir ou pausar o recurso? E quem apenas visualiza um relatório precisa de uma licença individual?
A resposta depende da arquitetura escolhida. Tanto o Fabric quanto o Embedded podem trabalhar com capacidade dedicada, mas possuem objetivos diferentes e regras específicas de consumo.
Resumo: as capacidades F do Microsoft Fabric e as capacidades A do Power BI Embedded são adquiridas no Azure e oferecem um conjunto de recursos computacionais. O custo depende da SKU, do tempo em operação e da região. Já a necessidade de licença Pro ou PPU depende da forma como os relatórios são publicados e acessados.
Licença de usuário e capacidade não são a mesma coisa
No ecossistema Power BI existem dois conceitos que frequentemente são confundidos:
- licença individual, atribuída a uma pessoa, como Power BI Pro ou Premium por Usuário;
- capacidade, que representa recursos computacionais compartilhados por workspaces, relatórios, modelos e cargas de dados.
Uma licença Pro permite que o profissional publique, compartilhe e colabore no Power BI. Uma capacidade, por outro lado, fornece processamento para executar consultas, atualizar modelos, renderizar relatórios e, no caso do Fabric, executar outras cargas de trabalho.
Por isso, contratar uma capacidade não elimina automaticamente todas as licenças individuais. A regra depende da SKU e do modelo de distribuição.
Como é adquirida uma capacidade do Microsoft Fabric?
As capacidades do Microsoft Fabric usam SKUs da família F, como F2, F4, F8, F16, F32 e F64.
A contratação é realizada no Microsoft Azure. Durante a criação do recurso, a empresa escolhe:
- assinatura do Azure;
- grupo de recursos;
- região;
- nome da capacidade;
- tamanho da SKU;
- administrador da capacidade.
Depois da criação, a capacidade pode ser associada aos workspaces do Fabric e do Power BI.
A Microsoft explica as regras de licenciamento e as capacidades disponíveis na documentação de licenças do Microsoft Fabric.
O que são Capacity Units?
As SKUs F são dimensionadas em Capacity Units, ou CUs.
As CUs representam a quantidade de poder computacional disponível. De forma simplificada:
| SKU | Capacity Units | |---|---:| | F2 | 2 CUs | | F4 | 4 CUs | | F8 | 8 CUs | | F16 | 16 CUs | | F32 | 32 CUs | | F64 | 64 CUs |
Quanto maior a capacidade, maior a possibilidade de atender consultas, atualizações e cargas simultâneas. Entretanto, o dimensionamento não deve considerar apenas o número de usuários.
Também influenciam o consumo:
- complexidade das medidas DAX;
- tamanho dos modelos semânticos;
- quantidade de atualizações;
- simultaneidade dos acessos;
- uso de DirectQuery;
- execução de pipelines;
- notebooks e cargas Spark;
- Data Warehouse e Lakehouse;
- processos de inteligência em tempo real.
Como funciona o processamento do Fabric?
Uma capacidade Fabric pode executar diferentes cargas de trabalho na mesma estrutura.
Isso significa que o processamento pode ser consumido por:
- Power BI;
- Data Factory;
- Data Engineering;
- Data Science;
- Data Warehouse;
- Real-Time Intelligence;
- bancos de dados e outros itens do Fabric.
A plataforma é uma suíte de análise de ponta a ponta, com experiências integradas sobre o OneLake. A visão geral oficial está disponível em O que é Microsoft Fabric.
Como as cargas compartilham a capacidade, um pipeline pesado ou um notebook pode competir com consultas interativas do Power BI. Por isso, monitoramento e governança são importantes.
Como funciona a cobrança das SKUs F?
As capacidades F podem ser contratadas no Azure com cobrança baseada no tempo em operação. O preço varia conforme:
- SKU escolhida;
- região do Azure;
- moeda;
- impostos;
- contrato da empresa;
- modalidade de pagamento;
- uso de reserva.
Em cenários sob demanda, a capacidade pode ser redimensionada e pausada. Quando uma capacidade é pausada, os itens deixam de ter processamento disponível até que ela seja retomada.
A possibilidade de pausa é útil para ambientes de testes, homologação ou operações que funcionam somente em determinados horários.
Como é adquirido o Power BI Embedded?
O Power BI Embedded utiliza principalmente as SKUs da família A, como A1, A2, A3 e A4.
A capacidade é criada no Azure e vinculada ao ambiente Power BI. Ela foi desenhada para aplicações que incorporam relatórios por meio das APIs e SDKs da Microsoft.
Uma capacidade A atende somente cargas do Power BI. Ela não oferece toda a suíte do Microsoft Fabric, como Lakehouse, notebooks, Data Factory e Data Warehouse.
Por isso, a família A costuma fazer sentido quando a necessidade principal é:
- incorporar relatórios em um portal;
- entregar analytics dentro de um software SaaS;
- compartilhar dashboards com clientes;
- controlar usuários pela aplicação;
- usar o modelo App Owns Data.
A documentação sobre capacidades Embedded está em Capacidade e SKUs na análise integrada do Power BI.
A capacidade A pode ser pausada?
Sim. A Microsoft permite pausar e iniciar capacidades A pelo portal do Azure ou por automação.
Enquanto a capacidade está pausada, a cobrança de computação é interrompida, mas os relatórios ficam indisponíveis. Essa característica pode reduzir custos em aplicações que não precisam operar 24 horas por dia.
Veja o procedimento oficial em Pausar e iniciar a capacidade do Power BI Embedded.
Qual é a relação aproximada entre SKUs F e A?
A documentação da Microsoft apresenta uma referência de capacidade computacional entre as famílias. Alguns exemplos são:
| Microsoft Fabric | Referência Power BI Embedded | |---|---| | F8 | A1 | | F16 | A2 | | F32 | A3 | | F64 | A4 |
Essa comparação representa capacidade computacional e não significa equivalência completa de funcionalidades ou de licenciamento.
A SKU F oferece experiências do Fabric. A SKU A é direcionada à análise incorporada do Power BI.
Para entender melhor essa diferença de posicionamento, consulte também o artigo Power BI Embedded ou Microsoft Fabric: qual é a diferença?.
Quando os usuários precisam de Power BI Pro?
No acesso tradicional pelo Power BI Service, as regras variam conforme a capacidade.
Em capacidades F menores que F64, como F8, F16 ou F32, o usuário que acessa um relatório diretamente no Power BI Service normalmente precisa de Power BI Pro, PPU ou uma avaliação individual compatível.
Em uma F64 ou superior, usuários com licença gratuita podem consumir conteúdo do Power BI quando possuem as permissões adequadas e atuam como visualizadores.
Esse é um ponto importante: uma F8 ou F16 não elimina automaticamente as licenças Pro no Power BI Service.
E no modelo App Owns Data?
No cenário Embed for your customers, também conhecido como App Owns Data, a aplicação autentica o usuário e gera um token de incorporação.
Nesse modelo, os usuários finais não precisam de uma licença individual do Power BI. A aplicação utiliza uma identidade de incorporação, como uma entidade de serviço, para acessar o conteúdo e gerar o embed token.
Esse cenário pode utilizar capacidades F, A, EM ou P compatíveis.
Assim, uma capacidade F menor que F64 pode ser usada em um portal sem exigir Pro de cada visualizador, desde que a distribuição seja realizada corretamente pelo modelo App Owns Data.
A Microsoft descreve essa arquitetura em Embed for your customers.
Fabric ou Embedded: como escolher a licença?
A escolha deve partir da necessidade real.
Uma capacidade Fabric tende a ser mais adequada quando a organização deseja combinar Power BI com engenharia de dados, pipelines, Lakehouse, Warehouse, notebooks e outras experiências.
Uma capacidade A tende a ser mais direta quando o objetivo principal é incorporar relatórios em uma aplicação.
Também é possível utilizar uma capacidade Fabric para hospedar relatórios que serão incorporados em um portal. Nesse cenário, o mesmo recurso pode atender analytics e outras cargas da plataforma.
Checklist antes da contratação
Antes de escolher uma SKU, avalie:
- Quantos usuários apenas visualizam os relatórios?
- Eles acessarão o Power BI Service ou um portal?
- A empresa precisa de cargas além do Power BI?
- Qual é a simultaneidade esperada?
- A capacidade precisa funcionar 24 horas?
- É possível pausar o recurso?
- Os relatórios utilizam modelos grandes ou consultas complexas?
- Haverá pipelines, notebooks ou Data Warehouse?
- A distribuição será interna ou para clientes externos?
- Como o consumo será monitorado?
Conclusão
O Microsoft Fabric e o Power BI Embedded utilizam capacidades adquiridas no Azure, mas atendem objetivos diferentes.
As SKUs F suportam uma suíte completa de dados e analytics. As SKUs A são direcionadas principalmente à incorporação do Power BI em aplicações.
Em ambos os casos, o tamanho da capacidade determina o processamento disponível. Já a necessidade de licenças Pro ou PPU depende da forma de acesso aos relatórios.
Para a implementação prática dessa arquitetura, veja o guia Como utilizar a licença Fabric em portais Power BI.