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A origem do Power BI: do SQL Server e Excel ao Microsoft Fabric
Power BI12 min read

A origem do Power BI: do SQL Server e Excel ao Microsoft Fabric

Conheça a história do Power BI, desde o Integration Services, Analysis Services e Reporting Services até o Power Query, Power Pivot, DAX e Microsoft Fabric.

O Power BI é hoje uma das plataformas de análise de dados mais utilizadas no mundo. Ele permite conectar diferentes fontes, transformar informações, criar modelos semânticos, desenvolver indicadores e distribuir relatórios para usuários de negócio.

Mas o Power BI não surgiu de uma única ideia nem foi criado do zero.

A plataforma é resultado de décadas de evolução das tecnologias de dados da Microsoft. Antes de existir o Power BI Desktop, a Microsoft já oferecia ferramentas para integração de dados, criação de modelos analíticos, construção de relatórios corporativos e análise dentro do Excel.

O Power BI nasceu da união de diferentes tecnologias que antes funcionavam separadamente: integração, modelagem, cálculos, visualização e compartilhamento.

Para entender sua origem, precisamos voltar ao ecossistema de Business Intelligence do SQL Server e acompanhar a evolução até o Microsoft Fabric.

Antes do Power BI: o ecossistema de BI do SQL Server

Durante muitos anos, projetos corporativos de Business Intelligence baseados em tecnologia Microsoft foram construídos sobre três componentes principais:

  • SQL Server Integration Services;
  • SQL Server Analysis Services;
  • SQL Server Reporting Services.

Esses serviços atendiam às etapas fundamentais de uma arquitetura de dados: coletar e transformar informações, organizar modelos analíticos e apresentar relatórios aos usuários.

SQL Server Integration Services: a integração dos dados

O SQL Server Integration Services, conhecido como SSIS, tornou-se uma das principais ferramentas da Microsoft para processos de integração, transformação e carga de dados.

Por meio de pacotes visuais, equipes técnicas podiam extrair informações de arquivos, bancos relacionais e outras fontes, aplicar tratamentos e carregar os dados em um Data Warehouse.

O SSIS ajudou a consolidar conceitos como:

  • extração de dados;
  • transformação e limpeza;
  • carga em bancos de destino;
  • execução agendada;
  • controle de fluxo;
  • tratamento de erros;
  • criação de processos de ETL.

A própria Microsoft define o Integration Services como uma plataforma para construir soluções corporativas de integração e transformação, incluindo carga de Data Warehouses, tratamento de arquivos e movimentação de dados entre diferentes origens.

Consulte a documentação do SQL Server Integration Services.

Na prática, o SSIS cuidava da preparação dos dados antes que eles fossem utilizados em modelos e relatórios.

SQL Server Analysis Services: os modelos analíticos

Depois da integração, era necessário organizar os dados para análise.

O SQL Server Analysis Services, ou SSAS, foi criado para fornecer modelos analíticos corporativos. Durante muitos anos, ele ficou fortemente associado aos cubos OLAP e aos modelos multidimensionais.

Com o SSAS, as empresas podiam criar:

  • dimensões e hierarquias;
  • medidas e indicadores;
  • cubos analíticos;
  • modelos tabulares;
  • regras de segurança;
  • cálculos centralizados;
  • estruturas reutilizadas por diversos relatórios.

O Analysis Services permitiu que as regras de negócio deixassem de ficar espalhadas em diferentes planilhas ou relatórios. Elas passaram a ser concentradas em um modelo semântico corporativo.

Mais tarde, os modelos tabulares e o mecanismo VertiPaq ganharam espaço. Essa tecnologia de armazenamento em memória tornou-se uma das bases do Power Pivot, do Power BI e dos modelos semânticos atuais.

A Microsoft ainda define o Analysis Services como um mecanismo analítico voltado a suporte à decisão e modelos semânticos empresariais. Atualmente, esse mesmo conceito está presente no Power BI e no Microsoft Fabric.

Veja a visão geral do SQL Server Analysis Services.

SQL Server Reporting Services: a distribuição dos relatórios

O terceiro componente importante era o SQL Server Reporting Services, conhecido como SSRS.

O SSRS foi desenvolvido para criar, publicar, administrar e distribuir relatórios corporativos, principalmente relatórios paginados.

Ele trouxe recursos importantes como:

  • relatórios com parâmetros;
  • exportação para PDF, Excel e outros formatos;
  • impressão estruturada;
  • assinaturas e envios programados;
  • portal para consulta dos relatórios;
  • controle de acesso;
  • relatórios operacionais e gerenciais.

Durante muitos anos, o Reporting Services foi a principal solução da Microsoft para distribuição centralizada de relatórios dentro das empresas.

Até hoje, relatórios paginados continuam relevantes em cenários como demonstrativos financeiros, documentos fiscais, relatórios detalhados, listagens extensas e materiais preparados para impressão.

Consulte a documentação do SQL Server Reporting Services.

O papel do Excel na origem do Power BI

Mesmo com o crescimento das plataformas corporativas, o Excel continuou sendo a ferramenta de análise mais utilizada dentro das organizações.

Sua popularidade se explica pela facilidade de uso, flexibilidade para cálculos e liberdade para criar relatórios rapidamente.

Porém, o uso excessivo de planilhas também trouxe desafios:

  • arquivos duplicados;
  • cálculos diferentes para o mesmo indicador;
  • dificuldade de atualização;
  • ausência de governança;
  • riscos de segurança;
  • dependência de processos manuais;
  • dificuldade para trabalhar com grandes volumes de dados.

A Microsoft passou, então, a levar recursos mais avançados de Business Intelligence para dentro do próprio Excel.

Foi nesse contexto que surgiram tecnologias que mais tarde formariam a base do Power BI.

Power Pivot: modelagem analítica dentro do Excel

O Power Pivot permitiu que usuários do Excel criassem modelos de dados relacionando múltiplas tabelas, sem depender apenas de fórmulas tradicionais e funções de procura.

Com ele, tornou-se possível:

  • importar grandes volumes de dados;
  • criar relacionamentos entre tabelas;
  • desenvolver medidas reutilizáveis;
  • trabalhar com modelos em memória;
  • aplicar conceitos de modelagem dimensional;
  • construir indicadores mais consistentes.

O Power Pivot utilizava o mecanismo VertiPaq e aproximava o usuário do Excel dos conceitos presentes nos modelos tabulares do Analysis Services.

Essa foi uma mudança importante: o usuário deixou de trabalhar somente com células e passou a trabalhar com um modelo de dados.

DAX: uma linguagem para cálculos analíticos

Junto com o Power Pivot ganhou força a linguagem DAX, sigla para Data Analysis Expressions.

O DAX foi criado para desenvolver cálculos em modelos analíticos. Em vez de calcular apenas uma célula isolada, ele trabalha com tabelas, colunas, relacionamentos e contexto de filtro.

Com DAX é possível criar, por exemplo:

  • faturamento acumulado;
  • margem de lucro;
  • participação percentual;
  • comparativos entre períodos;
  • médias móveis;
  • indicadores por safra, unidade ou região;
  • cálculos que respondem dinamicamente aos filtros do relatório.

A linguagem passou do Power Pivot para o Power BI e continua sendo um dos principais elementos dos modelos semânticos da Microsoft.

Power Query: extração e transformação mais acessíveis

Outro componente decisivo foi o Power Query.

Inicialmente disponibilizado como suplemento do Excel, ele simplificou a conexão, limpeza e transformação de dados por meio de uma interface visual.

Com o Power Query, tarefas antes realizadas por scripts, macros ou processos de ETL passaram a ser executadas por usuários de negócio com menos dependência técnica.

Entre suas principais possibilidades estão:

  • conectar planilhas, arquivos e pastas;
  • acessar bancos de dados;
  • consumir APIs e páginas Web;
  • combinar tabelas;
  • remover erros e duplicidades;
  • alterar tipos de dados;
  • dividir e agrupar colunas;
  • automatizar etapas de tratamento.

Por trás da interface visual está a linguagem M, que registra cada transformação realizada.

O Power Query permanece presente no Excel, no Power BI, nos Dataflows e em diferentes experiências do Microsoft Fabric.

Power View: o início da visualização interativa

O Power View surgiu como uma experiência de visualização interativa integrada ao ecossistema Microsoft.

Ele permitia criar gráficos, tabelas, mapas e apresentações visuais conectadas aos modelos de dados.

Embora tenha sido descontinuado como produto independente, o Power View ajudou a consolidar conceitos que se tornariam essenciais no Power BI:

  • criação visual por arrastar e soltar;
  • interação entre gráficos;
  • exploração dos dados;
  • filtros visuais;
  • storytelling com informações.

Da combinação dos suplementos ao Power BI

A Microsoft percebeu que Power Query, Power Pivot, DAX e Power View resolviam diferentes partes do mesmo problema.

O Power Query cuidava da preparação dos dados. O Power Pivot e o Analysis Services forneciam a modelagem. O DAX permitia criar os indicadores. O Power View trazia a experiência visual.

Faltava reunir tudo isso em uma plataforma única, mais simples de usar e preparada para compartilhamento em nuvem.

Foi assim que o Power BI começou a tomar forma.

Em vez de depender de diversos suplementos separados dentro do Excel, a Microsoft passou a oferecer uma plataforma integrada para todo o ciclo de análise.

O surgimento do Power BI Desktop

O Power BI Desktop reuniu em uma única aplicação três grandes camadas:

  1. Conexão e transformação de dados com Power Query;
  2. Modelagem semântica e cálculos com VertiPaq e DAX;
  3. Construção visual e interativa dos relatórios.

Essa combinação tornou o desenvolvimento de BI mais acessível.

Profissionais de dados passaram a conseguir conectar diferentes origens, criar modelos relacionais, desenvolver indicadores e montar relatórios interativos sem utilizar várias ferramentas separadas.

O Power BI também popularizou conceitos como:

  • autosserviço de BI;
  • atualização automática;
  • dashboards interativos;
  • compartilhamento em nuvem;
  • acesso por dispositivos móveis;
  • segurança em nível de linha;
  • integração com o ecossistema Microsoft.

Power BI Service: compartilhamento e colaboração

O Power BI Desktop resolveu a criação dos relatórios. Já o Power BI Service ampliou a distribuição, colaboração e governança.

Por meio do serviço em nuvem, as empresas passaram a publicar modelos e relatórios em workspaces, criar aplicativos, configurar atualizações e distribuir informações para diferentes públicos.

O Power BI deixou de ser apenas uma ferramenta de criação visual e tornou-se uma plataforma completa de análise de negócios.

A Microsoft atualmente define o Power BI como sua plataforma de análise para conectar, visualizar e compartilhar dados em toda a organização.

Veja a visão geral oficial do Power BI.

Power BI Report Server e os ambientes locais

Nem todas as organizações podiam utilizar serviços em nuvem. Por motivos regulatórios, técnicos ou de segurança, muitas empresas precisavam manter seus relatórios em infraestrutura local.

Para esses cenários, a Microsoft disponibilizou o Power BI Report Server.

Ele combina a administração de relatórios paginados com a publicação de relatórios Power BI compatíveis com o ambiente local.

O Report Server representa uma ponte entre a tradição do Reporting Services e a experiência visual moderna do Power BI.

Power BI Embedded: relatórios dentro de sistemas e portais

Outra evolução importante foi o Power BI Embedded.

Com ele, os relatórios podem ser incorporados a portais, sites, aplicativos e plataformas SaaS.

Em vez de acessar diretamente o Power BI Service, o usuário visualiza os indicadores dentro do sistema da empresa, com autenticação, menus, identidade visual e regras próprias.

Esse modelo abriu espaço para novos cenários, como:

  • portais para clientes;
  • dashboards em sistemas de gestão;
  • áreas exclusivas para fornecedores;
  • plataformas SaaS com analytics;
  • distribuição de relatórios em grande escala;
  • experiências com domínio e marca próprios.

Conheça também o Portal Power BI Embedded da Power Insight, desenvolvido para empresas que desejam distribuir relatórios em um ambiente pronto, personalizado e integrado ao ecossistema Microsoft.

Microsoft Fabric: a próxima etapa da evolução

Em 2023, a Microsoft apresentou o Microsoft Fabric, ampliando novamente sua estratégia de dados e análise.

O Fabric reúne em uma única plataforma experiências de integração, engenharia de dados, ciência de dados, Data Warehouse, análise em tempo real e Business Intelligence.

O Power BI passou a fazer parte dessa plataforma como uma das principais cargas de trabalho.

Entre os elementos centrais do Fabric estão:

  • OneLake como camada unificada de armazenamento;
  • Data Factory para integração e movimentação de dados;
  • Data Engineering com Spark e notebooks;
  • Data Warehouse;
  • Real-Time Intelligence;
  • Data Science;
  • modelos semânticos do Power BI;
  • governança e segurança integradas;
  • Copilot e recursos de inteligência artificial.

A evolução é clara: recursos que antes estavam distribuídos entre servidores, ferramentas e suplementos passaram a funcionar dentro de uma plataforma SaaS integrada.

A Microsoft descreve o Fabric como uma plataforma completa de análise, tendo o Power BI como componente central para visualização e consumo das informações.

Consulte a documentação do Microsoft Fabric.

Linha do tempo resumida

| Etapa | Principal contribuição | |---|---| | Integration Services | Extração, transformação e carga de dados | | Analysis Services | Cubos, modelos tabulares e camada semântica | | Reporting Services | Relatórios paginados, portal e distribuição | | Excel | Análise acessível aos usuários de negócio | | Power Pivot | Modelo de dados e mecanismo VertiPaq | | DAX | Cálculos analíticos e medidas | | Power Query | Conexão e transformação visual de dados | | Power View | Visualização interativa e storytelling | | Power BI Desktop | Integração de preparação, modelagem e visualização | | Power BI Service | Publicação, colaboração e governança em nuvem | | Power BI Embedded | Incorporação de relatórios em portais e sistemas | | Microsoft Fabric | Plataforma unificada de dados e inteligência artificial |

O que essa evolução representa para as empresas?

A história do Power BI mostra uma mudança importante na forma como as organizações trabalham com dados.

Antes, cada etapa exigia uma ferramenta, uma equipe e uma infraestrutura específica. Hoje, grande parte do processo pode ser realizado dentro de uma experiência integrada.

Mesmo assim, os fundamentos continuam os mesmos:

  • dados precisam ser extraídos e tratados;
  • modelos precisam ser bem estruturados;
  • regras de negócio precisam ser centralizadas;
  • indicadores precisam ser confiáveis;
  • relatórios precisam ser distribuídos com segurança;
  • o ambiente precisa de governança e monitoramento.

O Power BI simplificou o acesso à análise, mas não eliminou a necessidade de uma arquitetura de dados consistente.

Conclusão

O Power BI não nasceu apenas do Excel.

Ele é resultado da evolução de todo o ecossistema de dados da Microsoft: Integration Services para integração, Analysis Services para modelagem, Reporting Services para distribuição e os recursos de autosserviço criados dentro do Excel.

Power Query, Power Pivot, DAX e Power View foram reunidos em uma experiência única, dando origem ao Power BI moderno.

Com o Microsoft Fabric, essa evolução continua. O Power BI passa a fazer parte de uma plataforma ainda mais ampla, conectando dados, engenharia, inteligência artificial, modelos semânticos e visualização.

Para empresas que precisam distribuir esses relatórios com identidade própria, controle de usuários, auditoria, monitoramento e integração com inteligência artificial, a Power Insight oferece um portal pronto para o ecossistema Power BI e Microsoft Fabric.

Conheça o Portal Power BI Embedded da Power Insight e veja como transformar relatórios em uma experiência corporativa completa.